Marien Calixte, o filho do jardineiro

Marien Calixte nasceu no dia 20 de outubro de 1935, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de uma professora primária e de um jardineiro que veio para o Brasil cuidar do paisagismo de praças na então capital do Brasil. No entanto, Calixte não chegou a conhecer o pai, de quem herdou o mesmo nome. Mesmo não tendo o conhecido, Marien afirma que foi sim influenciado por ele, como vocês podem ouvir no relato abaixo.

Cartão de Jardinagem de Marien Calixte, o pai

Aos dez anos de idade, Marien se mudou para o Espírito Santo por causa da mãe, capixaba de nascença e que possuía parentes nesta região. Calixte morou em diversos bairros da Grande Vitória, como Jardim América, Vila Rubim e Jaburuna. A estadia em Jardim América valeu como raiz para uma amizade duradoura com Oswaldo Oleari.

As brincadeiras da infância e juventude renderam uma identificação com o rádio e com a música. Marien e Oleari chegaram a ser locutores de parques de diversões e aprenderam a apreciar as canções com o irmão mais velho de Calixte, Darcy, que adorava escutar Frank Sinatra.

No fim da década de 1950, após realizar testes de entonação e continuidade de voz, Marien ganhou espaço na Rádio Espírito Santo, veículo de comunicação mais importante do Estado naquela época. Influenciado por José Américo Vidigal, Marien Calixte apresentou o programa Cinelândia Capixaba, que falava sobre cinema e trazia as trilhas sonoras dos longas mais conhecidos.

Parte coesa à Marien Calixte, o programa “O Som do Jazz” surgiu em 1958 e o nome veio devido a um disco de vinil da cantora Billie Hollyday que também se chamava “O Som do Jazz”.

Maurício de Oliveira e Marien Calixte

Paralelamente às atividadades desenvolvidadas na Rádio Espírito Santo, ele também fez os seus primeiros passos no jornalismo impresso. Em 1955, Calixte foi contratado pelo jornal A Tribuna e a sua primeira matéria foi com o violonista Maurício de Oliveira, que acabara de voltar da Polônia com um prêmio de um festival de música. Quase 50 anos depois, o encontro rendeu o livro escrito por Marien em 2001, “O Pescador de Sons”.

Após a experiência em A Tribuna, no final da década de 1950 Marien Calixte desenvolveu as atividades de Disc Jockey do Clube Vitória, um dos locais mais requintados da cidade. Mil novecentos e sessenta e dois marcou a ida de Calixte para o jornal O Diário, onde ficou até o ano de.

Na vida pessoal, em 1961, Calixte conheceu uma jovem chamada Terezinha e o namoro engatou. Quatro anos mais tarde, o casal de jornalistas solidificaram os laços matrimoniais em uma celebração no Colégio Salesiano.

A união gerou dois filhos. Daniela, nascida em 1966, e Luís Henrique, que nasceu em 1968.

Daniela e Luís Henrique quando crianças

Em 1971, Marien Calixte volta a trabalhar em A Tribuna e assume a coluna Plenário. Vivendo em um momento de efervescência cultural e que também era marcado pelo auge da ditadura, ele ainda foi,  diretor do Theatro Carlos Gomes e secretário de turismo da cidade de Vitória. Foi nessa época que surgiu o slogan “Viver é Ver Vitória”, que Milson Henriques representa na charge abaixo.

A modernização do jornalismo capixaba veio em 1973, quando A Gazeta convocou Marien Calixte para ser o editor-chefe da publicação. Calixte colocou o expediente do jornal, propôs um modelo mais contemporâneo de diagramação e dividiu o periódico em editorias. Por razões políticas, Marien sai de A Gazeta e parte para o quase falido Diário. No entanto, em 1978 ele volta para o veículo dos Lindembergs e institui a coluna Victor Hugo.

O início da década de 1980 é marcada por uma nova estruturação em A Tribuna. João Santos Filho convida Marien Calixte para comandar as mudanças na publicação. Ocorre que a morte prematura de Santos Filho prejudicou os anseios do filho do jardineiro em completar as mudanças vislumbradas pelo empresário e pelo próprio jornalista.

Marien Calixte fica em A Tribuna até o final da década de 1980, quando novamente o periódico é fechado. A partir deste momento, Calixte se torna o assessor de imprensa da Codesa, empresa pela qual ele se aposenta no ano de 1994.

Existente desde de 1958, “O Som do Jazz” e as publicações literárias são as atividades desenvolvidas até hoje por Marien. “O Som do Jazz” passou pela Rádio Espírito Santo, Cariacica FM, Tribuna FM e desde 2001 faz parte da grade da programação da Rádio Universitária.

Marien Calixte é um pedaço da história do Espírito Santo.

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